Música

Chill Bill, som para Tarantino relaxar!

Por Simone Ribeiro, @moluska  (Publicado originalmente em dez/10)

O Chill Bill é um daqueles projetos musicais que brincam com a imaginação da gente. Desde o nome escolhido pelo trio de música eletrônica/chill out, que foi inspirado no filme Kill Bill de Quentin Tarantino, até a ideia de transformar clássicos da música internacional. Uma combinação de sons e instrumentos que dão uma nova roupagem ao habitual som relaxante que caracteriza o estilo chill out.

Baseados em Lisboa, Portugal, o trio tem outra particularidade que pode explicar um pouco mais dessa miscigenação musical. O vocalista Felipe Fontenelle, que é brasileiro, e juntamente com Miguel Noronha Andrade (guitarra) e Marco Pombinho  (teclado e samplers) forma o Chill Bill.

Felipe vive em Portugal desde 1988 e participa de outras bandas interessantes, como o Be Bossa, além de, atualmente, também se dedicar a sua carreira solo. Conversamos com ele para saber um pouco mais sobre o Chill Bill e toda sua versatilidade musical.

MA: Como e quando surgiu o Chill Bill?

Felipe Fontenelle: O Chill Bill surgiu a cerca de dois anos quando três amigos músicos se juntaram para criar uma roupagem eletrônica e mais atual a diversas músicas que tinham no seu universo musical.

MA: Por que o nome Chill Bill?

Felipe Fontenelle: O nome Chill Bill apareceu como uma brincadeira com o nome do filme do Tarantino “Kill Bill”, numa tentativa de mostrar o contrário do filme, ou seja, paz e tranquilidade, numa sonoridade bem envolvente.

chill bill_1MA: Vocês definem o som do trio como uma mistura de estilos e instrumentos. Quais outras definições podem ser dadas ao som do Chill Bill?

Felipe Fontenelle: Música eletrônica, Chill Out, Lounge.

MA: Quais são as influências musicais da banda?

Felipe Fontenelle: Muito diversas, que passam pelo jazz, bossa nova, MPB, funk, soul, pop.

MA: Como surgiu a ideia de fazer novas versões para clássicos como Come Together e Don’t Worry be Happy? E como vocês escolhem o repertório?

Felipe Fontenelle: A maioria dos temas já eram bem conhecidos nossos e já tocávamos com várias formações de banda. Resolvemos fazer experiências e ver como resultavam dentro de um universo (eletrônico) até então muito pouco explorado por todos nós.

MA: O Chill Bill é um trio de música eletrônica-chill out de Portugal, mas você Felipe, é brasileiro. Como começou sua carreira e como é viver de música em outro país?

Felipe Fontenelle: Vim para Portugal em 1988 com os meus pais e a minha irmã. Desde criança cantava muito e tocava violão e sempre soube que, inevitavelmente, iria viver dessa minha paixão pela música. Estudei em algumas escolas de música e também com vários professores particulares.

As apresentações ao vivo começaram também muito cedo, aos 16 anos, sozinho, com o violão tocando nos bares de Cascais e Lisboa. Mais tarde, aos 19 anos, conheci o Miguel Andrade e desde então estamos juntos em praticamente todos os meus projetos. Portugal é um país que gosta de música muito variada e tenho tido sempre trabalho, quer em shows em auditórios, quer em eventos privados.

MA: Sendo brasileiro você trouxe algumas influências para as suas bandas. Quais são essas influências?

Felipe Fontenelle: Realmente, nos anos que vivi no Brasil, na minha infância, ouvia muita música boa. Meus pais tinham centenas de discos em vinil e passávamos horas e horas a ouvir um pouco de tudo. Desde Supertramp a Dire Straits, passando pelos grandes da MPB como Caetano, Djavan, Chico Buarque entre muitos outros. Penso que toda essa música me fez ser, inevitavelmente, o músico que sou hoje, apesar de achar também que as minhas raízes mais ancestrais devem ter contribuído de alguma forma.

chill bill_2MA: Como é o cenário musical português?  Há muitos espaços para tocar em Lisboa? Como é a receptividade do público ao som do Chill Bill ou dos outros projetos?

Felipe Fontenelle: Em Lisboa cada vez há mais casas de shows e fico muito grato com a receptividade das pessoas para todos os projetos que tenho apresentado. Mesmo quando faço shows em duo ou trio acústico num formato bem simples e intimista, a receptividade é ótima.

MA: Fale um pouco do Be Bossa, seria uma extensão do Chill Bill?

Felipe Fontenelle: Be Bossa é um projeto onde posso tocar com muita liberdade tudo aquilo que gosto de ouvir e cantar. É um projeto diferente do Chill Bill, que além de ser eletrônico foi pensado para ser gravado em disco, enquanto que Be Bossa é acústico e mais pensado para atuações ao vivo.

MA: Quais são os planos futuros do Chill Bill?

Felipe Fontenelle: Finalizar rapidamente o disco e fazer muitos shows. Estamos entrando em estúdio já no próximo mês e quero ter o disco pronto até março do próximo ano.

MA: Você pensa em fazer algum show por aqui?

Felipe Fontenelle: Adoraria cantar no Brasil. Até hoje só tive a oportunidade de fazer algumas participações em shows de amigos no Rio, mas espero brevemente ter alguma coisa agendada na minha terra natal.

Fotos: Ricardo Quintas. Visite a página do Chill Bill  no Myspace e o site de Felipe Fontenelle.