Música

Entrevista: 5 a Seco

Por Lana de Oliveira  (Publicado originalmente em fev/11)

Com pouco mais de um ano na estrada o 5 a Seco acumula na bagagem muita experiência e prestígio, lotando a maioria dos locais por onde passou. Formado por Vinicius Calderoni, Pedro Viáfora, To Brandileone, Pedro Altério e Léo Bianchini o 5 a Seco é um projeto musical que mistura a influência dos cinco músicos dentro e fora dos palcos. Um projeto musical, como eles mesmos definem, sem protagonistas e sem rótulos.

Paralelamente à carreira no 5 a Seco, os músicos possuem carreiras solo consolidadas e respeitadas no meio musical. Vinicius Calderoni é cantor, compositor e cineasta. Lançou seu primeiro disco em 2007 (Trancha) produzido em parceria com Ulisses Rocha, e com as participações de Fabiana Cozza, Tatiana Parra e o Conjunto 4aZero. Entre outros trabalhos, fez apresentações com Marina de La Riva, Fabiana Cozza e Dani Gurgel para o projeto Vinicius Calderoni convida cantoras em temporada no Tom Jazz.

5 a secoPedro Viáfora iniciou sua carreira aos 15 anos como compositor ao  lado do pai, o respeitado músico Celso Viáfora. Algumas de suas composições já ganharam diversos prêmios, como a canção “Não Vou” (em parceria com Igor Pimenta) que recebeu o prêmio de melhor letra no Festival de Alta Mogiana, em Ribeirão Preto.

Tó Brandileone já tem dois discos lançados e o terceiro (A grama do vizinho) tem previsão de lançamento para este ano. Desde 2007 vem conciliando seu trabalho na música com a composição de trilhas originais para cinema e teatro, além da participação de turnês internacionais. Em 2009 participou como violonista ao lado de Jacques Figueiras e Zé Luis Nascimento na turnê européia da cantora Giana Viscardi.

Pedro Altério compôs sua primeira melodia no violão com apenas 12 anos (Ouro em pó). Fez parte, juntamente com seu irmão, Gabriel Alterio, da Banda Trupe, onde se apresentou durante 2 anos no Bar Ébano em São Paulo. Suas apresentações no Villagio Café, Ao Vivo e Café Piu Piu, em São Paulo, marcam o início de sua carreira solo. Em 2008 ao lado do compositor Luiz Ribeiro marcou presença no DVD de Ivan Linse em 2010 participou do show em homenagem ao compositor Zé Rodrix.

Léo Bianchini iniciou na música aos 12 anos. Aos 20 ingressou como violonista na faculdade Santa Marcelina, dando início à consolidação de sua carreira musical. Compôs canções para os álbuns de Dani Gurgel e atualmente está finalizando seu primeiro disco, Feliz pra Cachorro, além de produzir o primeiro CD da cantora Manu Cirne.

Em entrevista ao MidiAtiva, Vinicius Calderoni fala sobre o que é o projeto, o que os influência, os shows e os planos. Confira!

MA – O que é o 5 a Seco? Uma banda, um grupo, um projeto? Qual a história de vocês?

Vinicius Calderoni – O 5 a Seco é um projeto musical que reúne cinco cantores e compositores da nova safra da música brasileira que já vinham desenvolvendo seu trabalho solo. Surgiu no meio de 2009, sem pretensão, com o único objetivo de fazer uma temporada de quatro shows.

Com a boa resposta de público e novos convites para apresentações, o caldo foi engrossando. Em 2010, um ano de consolidação: um show esgotado com uma semana de antecedência no Auditório Ibirapuera, apresentação no famoso Teatro Rival do Rio, participação nos shows de Ivan Lins, Luiza Possi e Celso Viáfora e mais duas temporadas de shows lotadas na Sala Crisantempo (pequeno teatro da Vila Madalena).

Estes acontecimentos firmaram o 5 a Seco como um projeto paralelo à carreira individual de cada um, porém permanente. Assim construímos um repertório sólido, uma sonoridade característica e um público cativo. Estes fatores somados à amizade que já existia entre nós todos são o nosso combustível para almejar muito mais em nossa longa estrada.

MA – Por que 5 a Seco?

5 a seco-4Vinicius Calderoni – Primeiro porque o projeto não tem protagonistas. Todos são cantores, compositores, violonistas e já tem uma carreira anterior à existência do 5 a Seco. Portanto, essa condição de igualdade se expressa na escolha do número 5.

A segunda ideia que 5 a Seco veicula é a auto suficiência. Não há banda de apoio nos acompanhando, somos nós que nos desdobramos para tocar vários instrumentos, inclusive alguns que não dominamos com perfeição, para criar uma sonoridade rica.

Esta busca da auto suficiência e a ausência de outros músicos acompanhantes criou uma sonoridade original e uma dinâmica bastante movimentada no show, com muitas trocas de instrumento e um roteiro de inspiração teatral.

Por fim, acho que o termo Seco faz referência a um caráter intimista, não tanto associado à sonoridade que tem ficado cada vez mais preenchida, mas sim decorrente do fato de que somos compositores apresentando nossas canções de uma maneira próxima a que foram compostas.

MA – Vocês fazem um som mais intimista, minimalista, mais “seco” como o nome já entrega…

Vinicius Calderoni – Acho que o som era mais minimalista e intimista no início do projeto. Agora que temos tocado em lugares maiores com certa frequência, a tendência tem sido cada vez mais criar sonoridades mais ricas e elaboradas.

O show está cada vez mais percussivo. Tocamos bateria em várias canções, tem algumas programações eletrônicas, muitas texturas com pedais de guitarra, tudo na direção de tornar o show mais poderoso e variado, à medida que evoluímos como músicos, e passamos a compreender melhor os inúmeros caminhos musicais que podemos seguir.

MA – Como vocês auto-definem o som que fazem e quais as principais influências de cada um dos integrantes?

Vinicius Calderoni – Pra simplificar, dizemos que fazemos Música Brasileira Contemporânea. Canções que têm influências de inúmeros gêneros musicais e uma infinidade de artistas, brasileiros ou não, decorrência direta de nossa geração ter sido efetivamente a primeira a conseguir pesquisar música na Internet.

Em outras palavras, a variedade composicional que se verifica no show do 5 a Seco, e no de muitos outros colegas de nossa geração, é um reflexo direto do amplo horizonte que conseguimos vislumbrar e do enorme número de artistas que nos influenciam e que demandaria muito tempo de entrevista se começasse a listá-los.

5 a seco-2MA – Todos vocês são músicos e compositores. O repertório da 5 a Seco é um pouco do trabalho de cada um ou todos compõem juntos?

Vinicius Calderoni – O repertório do 5 a Seco quando o projeto se iniciou era uma mistura de canções trazidas do repertório individual de cada um. Com o tempo, à medida que surgiam canções novas, elas passaram a integrar diretamente o trabalho do 5 a Seco. Portanto, pode-se dizer que boa parte das composições que integram o show agora já foram feitas com a perspectiva de serem utilizadas no 5 a Seco.

Sobre compor junto, acontece muito de fazermos parcerias entre dois ou três integrantes.  eu tenho músicas com o Tó, com o Léo e com os dois juntos; o Pedro Altério tem várias canções com o Pedro Viáfora e uma nova com o Tó e por aí vai. Nunca conseguimos compôr os 5 juntos, mas quem sabe num futuro próximo.

MA – A literatura influencia vocês de alguma forma no processo de composição?

Vinicius Calderoni – Como artistas, acho que nos sentimos muito influenciados não só pela música, mas por todas as outras artes, como o cinema, o teatro, a poesia, as artes plásticas e, é claro, a literatura. As influências de cada um são variadas. Para mim, o que me influencia são autores como Manoel de Barros, Julio Cortazar, Machado de Assis, Dostoievski, Shakespeare…

MA – Vocês têm esgotado ingressos na maioria dos locais onde se apresentam. Como tem sido a receptividade do público nos shows?

Vinicius Calderoni – Maravilhosa. Só fizemos shows com casa cheia até agora, e sabemos o quanto isso é raro e especial. Temos uma enorme gratidão ao nosso público que tem feito um maravilhoso trabalho de divulgação boca a boca, que tem nos permitido conquistar um espaço muito bacana antes mesmo de termos um disco ou DVD.

MA – Quais os futuros planos do 5 a Seco?

Vinicius Calderoni – Gravaremos um CD/DVD no meio do ano, provavelmente em junho, e o qual pretendemos lançar no final desse ano e divulgar em turnê no ano que vem. Até lá, queremos fazer o máximo de shows possíveis pelo Brasil porque é o que amamos fazer e nos alimenta.