Cinema

Entrevista: Branca Messina

Por Lana de Oliveira  (Publicado originalmente em jan/11)

A Casa de Cinema de Porto Alegre está com uma nova produção em andamento, o longa Menos que Nada, do diretor Carlos Gerbase. Gerbase é um veterano no cinema e mantém no currículo mais de uma dúzia de trabalhos entre curtas, longas e especiais para a TV. Além de ex-baterista da banda gaúcha Replicantes (da mesma época que teve Wander Wildner como vocalista), Gerbase é professor de cinema e membro da Casa de Cinema de Porto Alegre.

O tema do novo longa de Gerbase é a doença mental, tendo como pano de fundo a história dramática de um paciente de Porto Alegre. Ficção que coincide com a história de muitos brasileiros. Ao abordar um tema tão complexo e delicado como a doença mental, Menos que Nada trará para discussão e reflexão as mazelas e negligências da saúde pública no país.

A trama do longa gira em torno da história de um doente mental, internado em um hospital psiquiátrico de Porto Alegre há muitos anos, considerado um “caso perdido”, esquecido pela família, pelos amigos, pela sociedade, pelo estado. Então, a jovem médica Paula decide estudar o paciente e tratar sua doença, mesmo que isso não signifique a cura, e sim, condições mais humanas e dignas de sobrevivência.

O longa está sendo gravado e deve ser lançado no segundo semestre deste ano. No elenco, entre outros nomes, Branca Messina e Rosana Mulholland (mais conhecidas do público por outros trabalhos na TV e no Cinema). Branca Messina, que faz a médica Paula, é quase veterana na sétima arte. Já participou dos elogiados longas Olhos Azuis, 400 contra 1 e Não por Acaso, este último, ao lado de Rodrigo Santoro.

O MidiAtiva entrevistou a atriz que falou do começo de sua carreira, do reconhecimento profissional e da sua personagem no longa Menos que Nada. Confira!

SONY DSCMA – Conte um pouco de sua trajetória, como você iniciou sua carreira de atriz.

Branca Messina – Aos 15 anos de idade, num workshop de Gerald Thomas, vi toda aquela loucura transformada em arte e pensei: é aqui que vou descobrir quem sou, no teatro (ainda estou descobrindo). Depois cursei a CAL (Casa das Artes de Laranjeira) durante três anos e assim que me formei fui chamada para viver Else no teatro, personagem do conto “Senhorita Else” de Arthur Schnitzler.

Euclydes Marinho foi assistir meu espetáculo e me convidou para fazer seu filme “Mulheres, Sexo, Verdades e Mentira”. Logo depois Phillipe Barcinsky me escolheu através de testes para o filme Não Por Acaso e assim começou minha relação com o cinema.

Um ano depois filmei Vingança de Paulo Pons e Olhos Azuis de José Joffily ao mesmo tempo. Mais tarde, no Rio, Sex and Comedy de Jonathan Nossiter e 400 contra 1 de Caco Souza. E agora estou finalizando Menos que Nada de Carlos Gerbase.

MA – Você tem um sólido trabalho no cinema onde atuou em filmes elogiados. Como você recebe as críticas de que faz parte de uma nova geração de atrizes de cinema que vem ganhando um espaço cada vez mais respeitado?

Branca – Trabalhar é uma das coisas mais importantes da minha vida, o trabalho me salva. Ser reconhecida por ele me engrandece e me dá mais vontade de existir, de continuar fazendo o que faço. Sou apaixonada por cinema e por todos os meus filmes.

MA – Fale um pouco da Dra. Paula, sua personagem no longa Menos que Nada.

Branca – A Dra. Paula é uma residente em psiquiatria que tem um encontro transformador com seu paciente Dante. Talvez ela veja um pouco de sua loucura refletida no Dante. Ela resolve estudar o caso desse paciente e investigar como aconteceu o primeiro surto que desencadeou a esquizofrenia. O que ela quer é “transformar um sofrimento mental quase insuportável em infelicidade comum”.

DSC01202MA – Como foi atuar em um longa cujo tema, doença mental, é tão delicado e muitas vezes tratado como polêmica?

Branca – É muito bom poder conhecer, estudar e aprender coisas diferentes com o meu trabalho. Nesse filme tive a oportunidade de acompanhar residentes em psiquiatria nos hospitais e atender os pacientes com esquizofrenia.

A experiência vale para vida. Acho importante o papel que o cinema representa. De uma forma poética ele denuncia nossas mais profundas entranhas. Sabemos o quanto é triste a realidade dos doentes mentais, como os hospitais psiquiátricos são precários e como as pessoas têm preconceito com doenças mentais, mas esquecemos ou preferimos não lembrar. O filme está aí para contar uma história, para ser adorado e para ser rejeitado, mas o mais importante é contar uma história.

MA – Quais são seus planos futuros e novos trabalhos em vista?

Branca – Fazer mais cinema e teatro. Em abril começo rodar El Facilitador, de Victor Arregui, no Equador e em junho começo a ensaiar minha nova peça Trabalhos de amor quase perdidos, de Pedro Brício com estreia prevista para Julho/Agosto.