Artes

Entrevista: Erica Mizutani

Por Simone Ribeiro, @moluska (Publicado originalmente em abr/11)

A artista plástica e ilustradora Erica Mizutani imprime em seus trabalhos a sutileza de uma gueixa, ao mesmo tempo em que usa e abusa de cores fortes, quentes e da inspiração cotidiana.

Filha de mãe brasileira e pai japonês, Erica tem influências da arte oriental e ocidental. Seu trabalho é um misto de criatividade eclética que bebe da fonte da cultura pop dos anos 60 e 70.

Com a exposição Yume (sonho, em japonês) a pleno vapor no foyer das artes, do Sesc Santana, o MidiAtiva bateu um papo por telefone com a  artista que, entre outras coisas, falou sobre seu processo de criação e planos para futuros trabalhos.

tsunami4MA – A partir de quando você descobriu que faria da arte uma carreira?

Erica Mizutani – Na verdade, desde que eu era pequena já queria ser artista gráfica. Lembro que na escola tinha umas competições de arte e eu sempre ganhava e em outras matérias eu era péssima (risos).

MA – Seu trabalho tem grande influência da cultura japonesa. Por outro lado, também há uma grande influência da cultura brasileira. Como esse processo se desenvolve?

Erica Mizutani – No começo de minha carreira isso era meio que uma necessidade. A necessidade de juntar as duas coisas. Como a ideia de fazer um quimono com bananeiras e etc. Com o passar do tempo, percebi que não precisava ser tão óbvia e essa mistura em minha arte passou a ser mais sutil. E eu prefiro assim, vem de dentro de mim, naturalmente.

MA – Você já citou, muitas vezes, a influência de artistas como Frida Kahlo e Gustavo Klint. O que mais te inspira hoje em dia?

Erica Mizutani – No começo esses artistas me influenciaram muito. Mas eu pesquiso bastante. Ilustradores como Sandra Cinto, por exemplo, me inspira no sentido de ser uma arte pra cima. Os jovens artistas contemporâneos como James Kudo também.

MA – Como surge a inspiração nos seus trabalhos?

Erica Mizutani – A inspiração surge de repente, como na ilustração tsunami que fiz para mim mesma e de repente estava no meu facebook e foi passando para as pessoas. Surgiu assim. Um dia desses estava numa fila de balada e criei um personagem (risos).

MA – Fale um pouco da sua mais recente exposição Yume. Como está a repercussão?

mizutani4Erica Mizutani – O mural que fiz no Sesc mostra a personagem dentro de um contexto. É como se fosse uma história contada da vida dela. Quanto mais trabalhos você faz, mas outros trabalhos aparecerão. A repercussão está sendo muito boa.

MA – De que forma a música te inspira a criar?

Erica Mizutani – Sempre estou ouvindo música, a todo tempo. Me inspira totalmente! Gosto muito de ouvir UAKTI e um grupo só de mulheres chamado MAWACA. E claro, de vez em quando um rock também é bom (risos).

MA – O que você acha do grafite brasileiro?

Erica Mizutani – O grafite brasileiro é um dos melhores do mundo. Gosto por ser uma arte de crítica social. Existem alguns grafiteiros brasileiros para quem eu tiro o chapéu, mas eu realmente parabenizo aqueles que mantêm a crítica social, como o Tinho Nomura, por exemplo. Ele é um dos mais antigos e mantém esse conceito.

MA – E sobre planos futuros? Já tem alguma coisa em mente, alguma exposição?

Erica Mizutani – Tenho alguns planos. Quero fazer uma exposição grande e a ideia está sendo construída sobre “algo flutuante”. Coisas que flutuam. Muito dos meus trabalhos são sobre coisas flutuantes. Quando eu era pequena tive um problema nos dois pés e fiquei praticamente um ano sem poder andar. Literalmente, tem alguma coisa aí (risos).

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Ilustrações: divulgação da autora / Para saber mais visite o site de Erica Mizutani.