Música

Entrevista: Jennifer Lo-Fi

Por Lana de Oliveira  (Publicado originalmente em jun/11)

Com pouco tempo de estrada a banda paulistana Jennifer Lo-Fi já te prestígio e competência de gente grande. Formada por Sabine Holler (vocal), Caio Freitas (guitarra), Barrica (guitarra), Tuco (clarinete), Luccas Villela (bateria) e William Couto (baixo), a banda paulistana se tornou conhecida como web-banda depois de inovar realizando web-shows em tempo real na Internet.

A banda também se conheceu na rede. Cada integrante “descobriu” uns aos outros, gostaram dos seus trabalhos e resolveram montar a Jennifer Lo-Fi. Após alguns ensaios e o rápido entrosamento a banda se apresentou na Funhouse, famoso e conceituado clube de rock paulistano. Com a visibilidade na Internet, através dos web-shows, a banda começou a despontar como uma boa promessa, repercutindo na mídia e chamando a atenção cada vez mais das pessoas e internautas.

Após a gravação do primeiro EP, com músicas próprias, a Jennifer Lo-Fi também gravou dois videoclipes através do projeto Levi’s Music. Com um som que mistura rock, experimentalismo, influências do indie rock brasileiro e gringo, a banda dispensa rótulos e tenta se desvencilhar do título de web-banda.

jennifer1Em janeiro deste ano, a Jennifer Lo-Fi lançou o terceiro EP, Noia, com produção de Chuck Hipolitho. As canções foram gravadas e mixadas no estúdio de Chuck e o resultado foi um som maduro, original e que mostra de maneira mais “limpa” as influências da banda. O MidiAtiva entrevistou Luccas que, entre outros assuntos e respostas mais engraçadinhas, falou sobre o início da banda, a escolha do nome (um tanto bizarro..rsrs), as influências, os shows e o que ainda deve vir por aí.

MA – Qual a história da banda? Como vocês formaram a Jennifer Lo-Fi?

Luccas – O Caio achou a Sabine na internet e escutou o trampo dela. Ele achou bem interessante e a chamou pra montar uma banda, logo depois ele veio falar comigo para tocar batera. Falamos com o Mané para “empresariar” a gente, ele topou e sugeriu chamar o Miu, do Fragile Arm. A gente já conhecia o trampo e achou legal ele participar.

Mais tarde entrou o Gustavo para suprir as necessidades no baixo, ele gravou um EP, o Summer session e logo após saiu da banda por questões pessoais, ai chamamos o William, que já tocou com agente no [Art].Ficial. para ocupar a vaga no baixo e estamos com ele até hoje.

O Miu saiu da banda no início do ano e chamamos o Barrica pra segunda guitarra, está rolando legal, vamos ver se dura! (risos) O Tuco, outro amigo nosso entrou na banda esses últimos tempos pra tocar clarinete e fazer umas programações, ele é verde e tem um bigode manero.

MA – Por que o nome Jennifer Lo-fi?

Luccas – Porque é engraçado pensar na Jennifer Lopez fumando crack. Você num acha? (risos)

MA – Vocês têm músicas com nomes bem interessantes (Escafandro, Catarse, Ataraxia, Pedacabo…), nomes pouco comuns, mas que fazem sentido nas composições. Como funciona o processo de composição?

Luccas – Geralmente começamos pelo instrumental. A ideia inicial da música pode surgir de qualquer um da banda, depois vamos trabalhando em cima da melodia. Por último chega a Sabine e encaixa as letras e vocais, aí no final de tudo vemos do que a música tem cara e damos o nome.

jennifer4MA – Comumente vocês são identificados como uma “web-banda indie” que faz um som mais experimental. Como vocês auto-definem o som que fazem e quais as principais influências de cada um dos integrantes?

Luccas – Estamos tentando nos desvencilhar desse rótulo de “web-banda”. Usamos mais a internet como ferramenta de divulgação, somos bem analógicos na vida real (risos). A gente não consegue definir muito nosso som porque gostamos de misturar muitas coisas. Parece pretensioso, mas é verdade. Geralmente digo pras pessoas que somos experimentais, mas como dizem, definir é limitar.

Temos gosto musical muito parecido, gostamos praticamente das mesmas bandas, Silver Mount Zion, Tortoise, Mars Volta, Miles Davis, Fugazi, Cidadão Instigado, Zach Hill, Linda Martini, Criolo, Emicida, Maps & Atlases, RX Bandits (que tivemos a oportunidade de abrir dois shows aqui no Brasil) nossos amigos do Medulla que são do RJ.

A entrada do Barrica trouxe uma outra cara, pelas influências dele e tal. Ele toca no Kafka Show, uma banda muito bacana que tem uma pegada anos 80 tipo Fellini, Gang 90, Lobão… ta sendo muito legal!

MA – Vocês já foram citados no Popload, por Lúcio Ribeiro, em revistas especializadas e em matérias na Globo.com e Folha Online com a novidade de ser uma web banda…

Luccas – A internet ajudou muito a gente em uma certa época. Hoje em dia não faz mais sentido isso. Apesar de usarmos muito a Internet não nos prendemos tanto a ela como antes. Gostamos do contato do pessoal assistindo a gente, acho que toda banda procura isso, acho que não é nem uma questão de “banda de palco”, é simplesmente ser banda e tocar. Queremos mostrar nossa proposta de som, de tocar, de como estruturar uma música, e claro, se possível, viver da música.

MA – Como surgiu a ideia dos web-shows e como tem sido os acessos e o retorno de quem acompanha a banda na Internet?

Luccas – A ideia surgiu do Mané. Foi muito bom para o início, rendeu muitas entrevistas em muitas mídias diferentes. Hoje em dia o pessoal segue a gente naturalmente, nosso som mudou, procuramos outros ares, mas a Internet é essencial para qualquer banda hoje, principalmente para as de pequeno e médio porte. A banda que fala que não usa a Internet tá mentindo.

jennifer4MA – Como é a receptividade do público nos shows e quais os locais mais interessantes que vocês já se tocaram?

Luccas – A receptividade tem sido boa, principalmente nas cidades de interior. Há pouco tempo fomos para Campinas, pela terceira vez, e os shows lá sempre são muito bons! Apesar de termos fãs em São Paulo, aqui ainda é um lugar muito frio pra fazer shows, aliás, faz tempo que não tocamos por aqui. Temos um show agendado esse mês na Ego Club, na Praça Roosevelt…vamos ver como a galera reage (risos).

MA – Apesar de ser uma banda relativamente nova, vocês possuem uma sonoridade bem madura. O que mais vocês buscam alcançar em termos de sonoridade?

Luccas – Boa pergunta. Não sabemos onde vamos chegar. Gostamos de ousar e usar elementos incomuns, pelo menos tentamos (risos). Gostamos de procurar qualidade e novidade. Existem muitas bandas se repetindo e o cenário musical está enfadonho, são sempre as mesmas coisas, copiando as mesmas coisas e seguindo tendências mercadológicas perecíveis. As bandas estão descartáveis justamente pela demanda e esse lance de web.

MA – Quais os futuros planos da Jennifer Lo-fi?

Luccas – Fazer um DVD ao vivo no Madison Square Garden com participação da Ivete Sangalo (risos). Brincadeira. Tentar viver de música…

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