Música

Entrevista: Pata de Elefante

Por Simone Ribeiro, @moluska (Publicado originalmente em mar/11)

Se existe singularidade no rock nacional a Pata de Elefante é um legítimo representante da classe. O power trio porto-alegrense formado em 2002 por Daniel Mossmann (guitarra e baixo), Gabriel Guedes (Guitarra e baixo) e Gustavo Telles (bateria) tem três CDs gravados e está começando uma turnê pela Argentina.

Na bagagem, um rock instrumental que já rendeu vários prêmios à banda, participações em festivais de renome e, o mais importante, o posto de power trio mais competente do rock nacional. O baterista Gustavo Telles bateu um papo com o MidiAtiva e nos contou um pouco sobre a carreira de sucesso de umas das bandas mais competentes do país.

MA – A pergunta clássica de todo começo de entrevista. Por que nome Pata de Elefante?

Gustavo Telles – É um nome forte, impactante e é sonoro, funciona muito bem. E acho que fazemos jus ao nome! (risos)

MA – Como surgiu a ideia do trio instrumental?

Gustavo Telles – Simplesmente aconteceu. Eu e o Gabriel tínhamos um show pra fazer, mas os dois caras que tocariam conosco furaram algumas horas antes. Então chamamos o Daniel, quem eu conheci na hora do show. Como não tínhamos nenhuma música pré-definida e nenhum vocalista, teria que ser instrumental. Desta forma, tudo saiu na hora e foi sensacional: o público gritava, pulava, uivava, eu nunca havia vivenciado nada parecido antes! Lembro que quando estava voltando pra casa, já pela manhã, eu pensei: achei minha banda! O fato é que a música instrumental se impôs a nós, e nós simplesmente aceitamos.

Pata de Elefante com o premio VMB 2009 foto de Danilo ChristidisMA – Vocês já foram considerados o melhor trio de rock instrumental nacional. Ainda são, aliás. Como é para a banda fazer sucesso fugindo totalmente do convencional e do mainstream. Vocês esperavam esse retorno?

Gustavo Telles – Nós sempre fizemos o que estávamos a fim de fazer, sem concessões. Tanto que fizemos uma banda de rock instrumental. E acertamos em cheio, pois esse é o nosso grande diferencial, ou seja, uma banda de rock instrumental que dá ênfase às melodias e que agrada ao público acostumado a ouvir música com vocal. Desde o início, as pessoas se identificam com o que fazemos, isso é muito foda, é maravilhoso! Então desconfiávamos que coisas boas fossem acontecer. Nós sempre acreditamos muito na nossa música!

MA – Antes da Pata de Elefante vocês tinham outros projetos musicais paralelos?

Gustavo Telles – Sim, e ainda temos. Mas a Pata é a prioridade em nossas vidas.

MA – Como power trio vocês devem ter influências musicais fortíssimas puxadas para o folk, rock e etc. E fora da música, o que inspira o som da banda?

Gustavo Telles – As experiências pelas quais passamos na vida, tudo aquilo que vivenciamos: cinema, gastronomia, sexo, bebidas, quadrinhos, livros, o caos, o silêncio, a alegria, a dor,  enfim, qualquer coisa!!!! (risos)

MA – Como baterista, quais são suas influências?

Gustavo Telles – Jim Gordon e Jim Keltner (bateristas de estúdio dos anos 60 e 70 que tocaram com Eric Clapton, George Harrison, John Lennon e Joe Cocker, entre outros), Levon Helm (The Band), Ringo Starr, Charlie Watts, John Bonham e Keith Moon são alguns deles.

MA – Vocês acham que de certo modo vocês estão abrindo caminho para que outras bandas de rock instrumental possam mostrar seu trabalho? Porque no Brasil esse não é um nicho reconhecido fora do underground. 

Gustavo Telles – Sim, e nos orgulhamos muito disso.

MA – Você acredita que por ser uma banda de Porto Alegre, celeiro de boas novas bandas, a Pata de Elefante foi reconhecida mais rapidamente? 

Gustavo Telles – Não. Acho que fomos ganhando respaldo pela qualidade do nosso trabalho e por termos nos esforçado para fazer as coisas rolarem.

pata1MA – O terceiro álbum da banda, Na cidade, foi lançado em 2010 e acredito que vocês devam estar ainda fazendo shows desse disco. A banda vai passar por todo o Brasil em 2011?

Gustavo Telles – Sim, a idéia é essa. De abril até agora, já passamos pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Sergipe e Pará, e esperamos até o fim do ano mostrar esse show nos quatros cantos do país.

MA – Vocês já tocaram em Santos?

Gustavo Telles – Ainda não, mas estamos loucos pra tocar aí.  É só nos chamarem que estamos prontos pra ir! (risos)

MA – Gostaria que falasse um pouco do seu primeiro trabalho solo Do seu amor, primeiro é você quem precisa, também lançado em 2010. (E que tem, inclusive, a participação do Marcio Petracco que fez parte da banda gaúcha TNT).  Como está sendo a repercussão desse disco?

Gustavo Telles – Este disco saiu dia 26 de novembro pelo Álbum Virtual da Trama, é bem recente, mas já está rendendo excelentes frutos. O CD acabou de chegar da fábrica e estou muito feliz com este projeto. Certamente é uma das melhores coisas que fiz na minha vida. Isso porque é um disco de catarse, de sublimação e porque é um projeto que foi realizado com o auxílio de alguns dos meus melhores amigos. Trata-se de uma reunião de excelentes músicos gaúchos, e o clima é de celebração. Por isso o nome deste projeto é Gustavo Telles & os Escolhidos, porque de fato foram todos escolhidos a dedo! E em abril começam os shows, estamos muito empolgados.

MA – Pra terminar, quais os planos da Pata de Elefante para 2011?

Gustavo Telles – Tem muita coisa rolando. Estamos finalizando dois clipes deste novo disco, planejando uma turnê pela Europa, outra por países da América do Sul e nos preparando para circular pelo Brasil mais uma vez.

Fotos: Daniel Christidis / Quer saber mais? Visite o Myspace da banda.

Assista Um olho no fósforo, outro na fagulha: