Música

Rock nacional tipo exportação

Por Simone Ribeiro, @moluska (Publicado originalmente em mar/11)

O Tipo Uísque pode ser uma banda nova em idade, mas não em experiência. O sexteto carioca formado por Pin Boner (vocal); Line Lessa (teclados); Larissa Conforto (bateria); Joana Cid (baixo); Gabriel Salazar (Guitarra) e Gabriel Ventura (Guitarra) surgiu em 2009, e no ano passado lançou seu primeiro trabalho, o EP Afague.

Em 2011, a banda pretende sair do Rio para tocar pelo Brasil a fora, levando um som experimental, competente e extremamente criativo. O Midiativa conversou com Larissa Conforto e Gabriel Salazar para conhecer um pouco mais sobre os cariocas da Tipo Uísque.

MA – No começo a banda tinha somente mulheres e a ideia era manter a banda 100% feminina. O som do Tipo Uísque mudou depois da entrada dos dois “Gabrieis”?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – A verdade é que essa ideia (de ser só mulher) é um pouco retrógrada e limitada, ou seja, não combina com a gente. Quando nos desgarramos dessa besteira de divisão de gênero, nos vimos livres do estereótipo “banda feminina” e, portanto, mais livres para criar e buscar inovações. A banda tinha uma só guitarra antes, também. Inevitavelmente ganhamos mais peso (e cara de rock), mais backing vocals e linhas melódicas! Além disso, são dois novos integrantes, que acrescentam e trazem novas influências para a banda.

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MA – No release a banda explica que Tipo Uísque foi um nome que surgiu meio que espontaneamente numa conversa em MSN e etc. Um nome bem forte, aliás.Por pura curiosidade, surgiram outras opções de nome para a banda nessa conversa? Quais?

Larissa Conforto – Na verdade, não. “Uísque” foi a primeira opção, e “tipo uísque” foi um mal entendido! Ficou porque soou espontâneo e com a nossa cara.

MA – O repertório da banda é todo em inglês. Alguma razão especial para as letras serem em inglês?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – Compomos em inglês por uma questão de facilidade. Além de que, tanto para letras, quanto para a parte melódica, a língua estrangeira soa bem no nosso estilo de música. Mesmo assim, nada impede de criarmos algo em português – música é música, independe de língua. Outro fator é que, apesar de admirarmos muitas bandas que tem letras em português, nossas maiores influências musicais são internacionais.

MA – Vocês começaram em 2009, e no ano passado já tinham preparado o repertório para um primeiro EP, Afague. Como esta sendo a repercussão desse trabalho?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – O Afague entrou no ar (no nosso site  você pode ouvir as músicas na íntegra e ainda comprar o EP físico) esse mês. Estamos muito contentes com a repercussão! Pintaram reportagens super legais no jornal O Globo, inclusive uma junto ao CSS e Holger, bandas com letras em inglês das quais admiramos… não temos do que reclamar, pelo contrário!

E isso tudo mesmo sem ter lançado ainda, oficialmente, o Afague. Estamos nos preparando para o show de lançamento oficial, que será dia 18 de março, no Espaço Acústica, no Centro do Rio. Até lá ficaremos em estúdio, ensaiando e compondo para os próximos shows.

MA – Quatro integrantes da banda participaram do programa Geléia do Rock. A ideia de tocar junto aconteceu quando se conheceram por lá? Se não, como surgiu a banda?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – verdade, três integrantes! Não, a banda já existia quando o programa foi gravado, mas sem os meninos. Larissa e Salazar se conheceram lá dentro, mas só bem depois que veio o convite (ele já freqüentava os ensaios, conhecia as músicas). Já a Joana participou da segunda edição, um ano depois, quando a banda já estava de formação nova e assinada com o selo Slap!

tipouisque3MA – O programa do Multishow é um incentivo aos novos músicos. Principalmente aqueles que buscam um som mais alternativo. O que vocês tiram da experiência em ter participado de um projeto assim?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – É uma baita experiência. Intensa em todos os sentidos. Estar na televisão, tocar com gente desconhecida, estar de cara com artistas renomados, ter que compor e criar todo dia, com pessoas variadas, lidar com a crítica e o júri… tudo é um grande aprendizado! Sem dúvidas eu saí de lá musical e pessoalmente mais madura.

Gabriel Salazar – A experiência é muito legal. Conviver diariamente só com pessoas que respiram música, num espaço onde tantos artistas já trabalharam, é incrível! É claro que tem a parte chata, que é a pressão de julgamento, a falta de contato com os amigos de fora, mas vale à pena. Acho que nós três evoluímos muito enquanto músicos graças ao programa.

MA – Vocês citaram Radiohead, Janis Joplin, Led Zeppelin entre algumas influências da banda. O que mais vocês estão ouvindo no momento?

Larissa Conforto – Tudo do Portugal The Man, o Álbum novo do Radiohead e os antigos do Black Keys!

Gabriel Salazar – Soweto, sempre.

MA – Vocês estão fazendo os shows de divulgação do Afague. O que mais a banda espera de 2011?

Larissa Conforto e Gabriel Salazar – Esperamos sempre boas surpresas! Prevemos shows de lançamento no Rio, SP e Nordeste. Por enquanto temos o show (Mais informações: aqui). Quanto mais lugares pintarem, melhor! Estamos abertos e dispostos sempre.

Além disso, o repertório vem crescendo cada vez mais, quem sabe não sai um disco inteiro até o final do ano? Tocar no Rock in Rio também seria irado!

Quer saber mais? Visite o site da banda.

Vídeo de If you go: