Artes

SHESKO, o Multifacetário!

Por Simone Ribeiro, @moluska (Publicado originalmente em jun/10)

Multifacetário! Se fosse escolher outra tag para descrever Leandro SHESKO, ficaria com esta palavra.  Aos 25 anos, grafitando já há uma década, Leandro tem em seu currículo inúmeros trabalhos como artista plástico, designer, tatuador e arte educador. O MA bateu um papo com ele pra saber um pouco mais sobre essa trajetória dele dentro de outra área que ele domina: o graffiti.

Nome: Leandro Szyszko (<<Shesko)

Nickname / Tag: Shesko

Idade: 25

Grafita desde: 1999

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MA: Fale um pouco de sua trajetória no mundo do grafitti.  Quando e como aconteceu o graffiti em sua vida?    

Shesko: Sempre desenhei desde criança, sempre gostei bastante de desenho animado e histórias em quadrinhos. Chegando à adolescência fui me envolvendo com esportes radicais, surf e skate e isso foi sendo inserido nas minhas criações, juntamente com as pichações que fui tomando gosto, vendo pelas ruas. Num estalo, entre meus rabiscos, acabei ficando curioso com o tal do graffiti, que começava a ganhar força no Brasil, e fui atrás de informações  em SP, comprei vídeos, revistas e livros. Isso aconteceu por volta de 1999.

shesk1MA: Como surgiu o nome Shesko?

Shesko:  Tomando como modelo o que eu via no meio do graffiti/pichação, participei de várias grifes em conjunto com outros artistas até resolver um dia ser mais autêntico e utilizar o meu próprio sobrenome, que já é tão diferenciado. Então simplifiquei o nome escrevendo-o como se lê no original: Szyszko. Estilizado: Shesko.

MA: Quais são as suas principais influências e de que modo elas influenciaram no desenvolvimento do seu estilo?                  

Shesko: Na verdade eu não considero ter um estilo. Continuo na busca dele, sempre experimentando. No máximo caracterizaria meu estilo pelas técnicas que utilizo para dar acabamento aos meus desenhos e pinturas, como contornos, cores vibrantes e muitas figuras  que fogem do padrão de letras tão predominante no graffiti. Tenho bastante influência de diversos artistas do próprio graffiti, das histórias em quadrinhos, da tatuagem e um pouco da animação.

MA: Graffiti e música sempre andaram juntos. Qual a trilha sonora ideal para inspirar seu trabalho?           

Shesko: Depende do local, do dia, do meu estado de espírito (risos). Gosto de vários artistas nacionais, e gosto muito de RAP e música eletrônica. Acho que o topo da minha lista fica nesse triângulo.

MA: Qual é a tua visão sobre o graffiti brasileiro?       

Shesko: Um dos melhores do mundo sem dúvida. Surgiu e evoluiu quebrando vários padrões, mas um bom artista transcende suas coordenadas geográficas. Tem gente boa no mundo inteiro!

MA: Como foi para você ter um dos seus trabalhos ilustrado no livro Graffiti Brasil de Tristan Manco? 

Shesko: Se eu disser que não fiquei surpreso e orgulhoso estarei mentindo, pois com tanto trabalho bom por aí e o fotógrafo foi se interessar logo pela minha pintura a ponto de publicá-la mesmo que sem legenda. (Nota do Editor_ No livro de Tristan Manco não aparece os créditos ou alguma informação sobre o trabalho de Shesko). Mas confesso que ficaria mais contente mesmo com um espaço similar aos artistas retratados pelo livro, mas um dia chego lá. Paciência é meu forte! (risos).

shesk2MA: Fale um pouco sobre o seu trabalho com a Equipe Klãdestino. Quando começou e de onde surgiu a ideia de formar esse coletivo de arte?           

Shesko: Como eu disse anteriormente, como já fiz parte de alguns coletivos. Iniciei com o “Artesuja”, com o pessoal do bairro. Depois “Iguais”, que era a dupla formada por eu e meu amigo Marsel.  Com o passar do tempo, criou-se um laço forte de amizade entre eu e dois artistas, o Thago e o Piui, e formamos a “Ce.U. (Caligrafia Urbana)”.

Foi quando começamos a seguir uma linha de trabalho mais voltada para produções do que intervenções na rua, vandalismo e bombardeios. Depois de alguns anos pintando juntos, num momento em que queríamos amadurecer e profissionalizar um pouco mais a coisa, e com a necessidade de criar um nome coletivo da equipe que atuava pintando nos shows do Charlie Brown Jr, resolvemos criar o Klãdestino, um nome bem mais forte. “Recrutamos” o Primo pra integrar o grupo, artista mais antigo de Santos, que já pintava frequentemente junto conosco e divide várias ideias em comum.

MA: Em sua opinião, como anda o cenário do graffiti na Baixada Santista. Há espaço para demonstração de seu trabalho e de outros artistas  por aqui? 

Shesko: Depende de que espaço a que você está se referindo (risos). Espaço na rua sempre tem, mesmo sem viadutos e pontes, por exemplo, há vários lugares pela rua para se pintar. Até que as autoridades não oferecem muita resistência, raramente os moradores se opõem a trabalhos coloridos nas paredes, e aqui não tem aquele pessoal que passa pintando tudo de cinza que nem em São Paulo. Não há muitos lugares para realizar exposições, mas mediante projetos e organização dá pra conseguir um espaço nesses poucos lugares. No entanto, aqui não tem muito público para essa arte ainda nova, e o mercado para se ganhar dinheiro é bem restrito. Meus melhores trabalho$ realizei em São Paulo.

MA: Você já fez vários trabalhos diferentes em sua carreira. Qual deles você considerou mais difícil. Por quê?      

Shesko: Geralmente os novos trabalhos sempre trazem novas dificuldades. Mas fidelidade fotográfica costuma ter uma execução mais minuciosa. Posso dar de exemplo, um quarto que fiz para um garoto onde ele não queria só o atleta dando uma manobra com o skate, mas a rampa, o público assistindo e toda a cidade de Paris que ficava ao fundo da foto dada como referência. Mais recentemente fiz algumas pinturas na unidade Brooklin/SP da escola de idiomas CNA, onde precisei reproduzir as fotos de duas pontes, uma de São Paulo e outra de Nova Iorque. A estrutura da ponte já é super complexa, com o rio refletindo as luzes noturnas e a cidade ao fundo fica tudo mais elaborado ainda. Mas são trabalhos que ao final acabam dando uma satisfação maior ainda, pois além de impressionar quem vê, servem de treino para aumentar a prática e o repertório de técnicas.

MA: O que você acha do graffiti ainda ser considerado por muitas pessoas como vandalismo?     

Shesko: Não é de se estranhar, já que realmente muitos artistas são vândalos, e vice-versa! Além disso, a linha entre graffiti e pichação, arte e vandalismo  nas ruas é muito tênue. Isso que dificulta a visão das pessoas em relação a uma atividade tão “nova” na sociedade como o graffiti. O tempo e a persistência de todos os envolvidos vão trazer essa educação aos poucos.

shesk3MA: Além da arte visual você agora também está tatuando. Como surgiu essa nova fase em sua vida? E como está sendo a sua trajetória no mundo da tatuagem?     

Shesko: Sempre gostei de tatuagem. Além de ser um tatuado desde a época que comecei a me envolver com as artes. Tenho contato com alguns artistas daqui da Baixada Santista. Entre eles a Mallu, que conhece meus desenhos e sempre “botou uma pilha” pra eu aprender a tatuar. Num belo momento me vi formado, precisando de dinheiro, com disposição pra desenvolver uma nova atividade em minha vida, e tempo e vontade para aprender a tatuar, algo que eu já empurrava pro futuro há tanto tempo. Coincidentemente, na mesma época a Mallu começava a formar uma nova equipe, depois de inaugurar seu novo estúdio, o Corpos Coloridos. Aí tive umas aulas num curso que ela ministra no próprio estúdio, e rapidamente me desenvolvi e parti pros amigos que se dispuseram a ser tatuados por mim.  Não demorou muito e eu comecei a cobrar e tatuar com mais freqüência, hoje fico no estúdio de segunda a sexta no período da tarde, tatuando ou desenhando.

MA: Tem algum projeto em mente que gostaria de realizar? Ou um projeto futuro que já está se encaminhando.     

Shesko: Gosto de trabalhos enormes. Quanto mais pinturas gigantes aparecerem para eu fazer, melhor. Não faz muito tempo eu coloquei em andamento um projeto chamado King Size Master Team, uma marca de roupas e customizações. Lancei algumas camisetas com meus desenhos de estampa e customizei algumas pranchas, mas tive que parar pra dar prioridade a outras coisas.

Meu objetivo é um dia unir todas as atividades num só lugar e oferecer , num único estabelecimento, tudo ao mesmo tempo: roupas, customização, tatuagem, arte digital, serviço de graffiti, exposição e oficina. Parece muita coisa, mas é tudo relacionado. E  sem a necessidade de um espaço físico tão fora do comum assim.